Filha, o meu desejo é que, só de olhar em meus olhos, saibas o que penso e para onde quero te conduzir. Eu a levarei à verdadeira vida. Muitos só se deixam conduzir sob uma mão pesada, como animais que precisam de freios e cabrestos. Mas, para ti, filha, reservo o meu olhar, cheio de amor, carinho e graça. O meu amor te protegerá enquanto passarás segura onde outros tropeçaram. Olha para mim e deixa-me guiá-la. (Sl. 32.8-10)



quinta-feira

Sonho Meu

"Há tanta gente em Belém neste momento que a pequena estalagem de seus pais está fervilhando de hóspedes. Você teve de abrir mão de sua cama para um cliente usar. Depois de encontrar uma esteira num canto, você vai calmamente até a estrebaria. Os jumentos fedorentos dos visitantes lotam o jardim e obrigam você a prender o nariz. Mesmo assim, você segue em frente. Seu pai mandou um casal dormir ali. Tem alguma coisa naqueles dois que faz você ficar curiosa para dar outra olhadela neles por trás dos fardos de palha.
Dessa vez, tem alguma coisa diferente ali. Que surpresa: a menina-mulher está segurando um bebê! Ele acabou de nascer, seu cabelo ainda está molhada e grudado à cabeça. Os dedinhos agarram os de sua mãe. O homem está fazendo uma pequena fogueira que não garantirá muito conforto nesta noite tão fria. Mas isso não parece pertubar nenhum deles, especialmente o bebê. 'Por que ele não berra até ficar roxo, como meus irmãos fizeram quando nasceram?', você se pergunta.
O bebê procura o rosto da mãe como se fosse um sábio. Ele a olha como se já amasse desde sempre e desejasse dizer isso a ela. Você deixa escapar um suspiro. Há algo de muito especial nesse bebê, mas você não tem certeza do que é. Sua vontade é abraçá-lo, mas a figura daquela criança, toda enrolada em panos, é linda demais para ser perturbada. Uma paz suave cerca o lugar. Você sabe que aquele é um momento sagrado. Tudo quanto deseja é estar ali. Com ele."
Lc 2.1-20

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